Seja Bem Vindo - 18/04/2026 04:22

Entre custos altos e dívidas, produtor pisa no freio em Mato Grosso

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

O cenário de incertezas no mercado e a escalada nos custos de produção estão forçando uma mudança de comportamento no campo em Mato Grosso. Com margens de lucro cada vez mais estreitas, o produtor rural decidiu adotar a cautela como estratégia principal, reduzindo riscos e limitando os investimentos apenas ao essencial para o próximo ciclo.

Essa retração é reflexo direto de uma combinação de fatores: queda no preço das commodities, fertilizantes mais caros e o peso de dívidas acumuladas em safras passadas. O movimento já transborda as fazendas e atinge as revendas de insumos, que registram um ritmo de negociações significativamente mais lento do que o observado em períodos anteriores.

Para quem vive o dia a dia da lavoura, a percepção é de que o nível de dificuldade subiu. O agricultor Leonardo Lorenzi, que planeja cultivar 3.025 hectares de soja na próxima temporada, conta que a estratégia agora é “fechar as portas” para gastos extras e focar no manejo de baixo custo. “Pensávamos que seria uma safra desafiadora essa passada, mas essa nova próxima safra, por tudo o que indica, será mais desafiadora ainda”, afirma Lorenzi ao Patrulheiro Agro.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Desafio redobrado na próxima temporada

Segundo ele, as compras até o momento se limitaram a defensivos químicos e sementes. O adubo ficou para depois. “O adubo a gente perdeu o time e estamos esperando para ver se dá uma melhorada. Se não tiver fechado a conta, vai ter que fazer do jeito que tem mesmo”, completa. A mentalidade do produtor mato-grossense passa por uma transição forçada: o foco deixou de ser apenas o recorde de sacas por hectare para se tornar a sobrevivência do caixa.

O agricultor Flávio Kroling destaca que, após uma safra de soja com lucratividade praticamente zero, qualquer detalhe no cenário político ou econômico impacta diretamente a viabilidade do negócio. “O agricultor americano não fala em produtividade, ele fala em lucratividade. Não adianta a gente produzir 70, 80 ou 100 sacas por hectare sem ter lucro. Isso é muito bom para o estado, mas nós temos que pensar também em nós agricultores. Está valendo a pena?”, questiona Kroling.

Para ele, 2026 é um ano para repensar toda a atividade dentro da propriedade. A preocupação com o passivo financeiro é um dos principais freios para o setor. De acordo com o vice-presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Gilson Antônio de Mello, o produtor carrega débitos de anos difíceis, como o ciclo 2023/24, afetado pelo El Niño. Agora, com os preços dos combustíveis elevados e commodities em baixa, a prioridade é gastar o mínimo possível para tentar abater dívidas anteriores.

“O produtor hoje está muito preocupado no estado inteiro com essa questão de passar esse ano, de plantar no menor custo possível e obter renda ainda para poder minimizar o débito que ele tem dos anos anteriores”, explica Mello ao Canal Rural Mato Grosso.

soja colheita foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Alerta nas revendas de insumos

O impacto dessa cautela é sentido com força no setor de distribuição. Em Primavera do Leste, o ritmo de negociações desacelerou bruscamente.

O cenário de descapitalização e o aumento do endividamento acenderam o sinal de alerta nas revendas, que temem um comprometimento severo no planejamento agrícola da temporada. Marcelo Cunha, tesoureiro do Conselho Estadual das Associações das Revendas de Produtos Agropecuários de Mato Grosso (Cearpa), revela que as vendas de fertilizantes estão muito abaixo da média histórica.

O Cearpa conta com 16 pontos de distribuição e mais de 300 associados no estado. “Acredito em 20% a 25% de fertilizantes comercializados hoje na safra em Mato Grosso. Está bem abaixo; no ano passado estávamos com 40% a 50% nessa época”, compara Cunha. Segundo ele, o custo de produção está 36% mais caro que no ano passado para quem tem capital próprio. Para o arrendatário ou quem depende de pacotes de crédito, a situação é crítica. “Hoje a conta não vai fechar. É um cenário desconfortável, pior que o ano passado”, finaliza.

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