O desequilíbrio financeiro e a queda no rendimento das safras têm tido um protagonista comum nas últimas temporadas: as doenças fúngicas. De evolução rápida e início silencioso, essas patologias atacam a lavoura ainda nos primeiros estádios de desenvolvimento, dificultando a percepção imediata do produtor rural.
O problema compromete o potencial produtivo antes mesmo de se tornar visível. No Cerrado, a atenção à sanidade foliar e o foco no manejo do baixeiro — a parte inferior das plantas — tornaram-se ferramentas estratégicas para garantir a eficiência produtiva dentro da porteira e evitar prejuízos acumulados ao fim do ciclo.
O cenário desafiador exige que o agricultor identifique perdas que começam na base, afetando a capacidade da planta de produzir energia que sustenta o desenvolvimento inicial da lavoura.
Para os especialistas, antecipar o manejo e reforçar as aplicações ao longo do ciclo com foco no baixeiro e nas primeiras folhas são medidas essenciais. Esse cuidado preserva a área fotossintética necessária para que a soja, o milho e o algodão consigam expressar o máximo de seu potencial genético no campo.

Impacto das doenças nas culturas de soja e milho
O agricultor Leonardo Lorenzi, que cultiva soja e milho em Mato Grosso, destaca que as principais doenças enfrentadas na região são a cercóspora, mancha-alvo, tombamento e anomalias na soja, além de bipolares, diplodia e fusarium no milho. “O impacto é muito grande. Quando você vê a perda em alguns casos você não consegue reverter muito”, afirma Lorenzi.
O produtor observa que a soja costuma “derreter” por baixo na parte final do ciclo, enquanto no milho o descuido inicial compromete a reserva de água da planta. “Aí você vai rebatendo com aplicações, o custo vai elevando e o prejuízo já entrou”, lamenta o agricultor sobre a falta de prevenção.
A engenheira agrônoma Mariana Ferneda Dossin, da Basf, reforça que o sistema produtivo do Cerrado é muito complexo, intensivo e baseado na sucessão de culturas, o que faz com que as doenças prevaleçam em todo o sistema. Para ela, manter a integridade de cada folha é um fator determinante para o rendimento final.
“Hoje a gente tem variedades que produzem muito mais, com muito menos folhas. Então, cada folha importa e cada terço da planta é responsável por um terço da produção daquela planta”, detalha Mariana, ressaltando que a perda de poucas folhas representa uma queda drástica na colheita.

Preservação do baixeiro inicia nas folhas inferiores
A pesquisadora da Fundação Rio Verde, Luana Belufi, explica que algumas doenças iniciam o processo de infecção justamente nas folhas do terço inferior. “A gente vê ali pontuações de cercóspora, que é uma doença que começa cedo e também septoria”, pontua a pesquisadora sobre o monitoramento inicial.
Luana destaca que é nessa região que se concentram as maiores produtividades da planta. Por isso, garantir que a doença não suba para as partes superiores é o principal objetivo de um manejo de sanidade eficiente e bem executado por toda a equipe técnica da fazenda.
“É importante a preservação da sanidade desse terço da planta, tanto pela preservação das folhas, quanto também para garantir que essa doença não suba e cause maiores danos”, complementa a especialista da Fundação Rio Verde sobre a necessidade de blindar a base da lavoura em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso.
Para a pesquisa, o papel da indústria aliado às novas tecnologias é fundamental em um sistema de manejo inteligente. “A gente vê cada vez mais a importância de uma tecnologia de controle entregando para outra”, afirma Luana, reforçando que a sanidade é uma construção que começa no tratamento de sementes.

Novas tecnologias e retorno sobre o investimento
Para Mariana Dossin, o manejo deve ser direcionado desde a germinação, utilizando moléculas em afinidade com o desenvolvimento fisiológico da cultura. Ela cita a Família Revysol® da multinacional como um marco que oferece maior efeito em cercóspora e complexo de manchas, aliando estratégia de controle com seletividade.
“O custo metabólico para uma cultura é muito menor. Então, zero fitotoxidez e amplitude de controle”, afirma Mariana. Ela aponta ainda o produto Belyan® como solução para o manejo robusto do baixeiro no vegetativo, podendo ser utilizado ao longo do ciclo com foco total em manchas de final de ciclo.
Na prática, o agricultor Leonardo Lorenzi já colhe os frutos dessa estratégia em seus 3.025 hectares. O produtor faz um manejo específico para cada cultivar, testando os materiais um ano antes para entender seu comportamento e garantir uma lavoura de alto desempenho.
“O negócio é você fazer preventivo e não corretivo. Em questão de sacas o milho é muito responsivo para você tirar questão de 10, 15 sacas em cima de um manejo é muito fácil e o custo você vai elevar às vezes um a dois sacas ali. O retorno é bem viável”, conclui.
Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.
O post Manejo precoce e sanidade do baixeiro são decisivos para manter produtividade em MT apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.