A colheita da soja em Mato Grosso entra na reta final com um obstáculo inesperado para quem ainda tem máquinas no campo: a disparada de até 40% no preço do óleo diesel, que já alcança os R$ 9,50 em algumas cidades. O avanço nos custos e a denúncia protocolada pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) junto ao Procon estadual acenderam o alerta no setor produtivo.
O objetivo da denúncia, segundo a Famato, é apurar possíveis irregularidades e preços considerados abusivos na modalidade TRR, utilizada para compras em grande volume pelos produtores. Relatos de racionamento em municípios do interior e a pressão inflacionária já impactam o ritmo dos trabalhos e o planejamento para a próxima safra.
Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) confirmam a pressão. O valor médio do diesel S500 TRR no estado saltou de R$ 5,83 para R$ 7,47 por litro no início de março, representando uma alta de 28% no período geral, embora em áreas isoladas o reajuste tenha sido muito superior.
Em Juruena, o salto foi repentino e assustou quem depende do combustível. “Nós saímos de um diesel em torno de R$ 7,00 para R$ 9,50 da noite para o dia. Todo mundo sabe que essa guerra [no Oriente Médio] vai trazer o reflexo aqui, mas ninguém consegue mensurar. Veio esse aumento de praticamente 40%”, afirma ao Marcelo Gheller Andrade, presidente do Sindicato Rural do município.

Impacto nos custos e logística
Na região de Nova Xavantina e Barra do Garças, onde o plantio ocorreu em novembro, ainda restam áreas para colher. O presidente do Sindicato Rural de Nova Xavantina, Endrigo Dalcin, relata ao Canal Rural Mato Grosso que as distribuidoras chegaram a restringir a entrega do combustível aos postos.
“Fomos pegos por essa questão da guerra no meio disso. O produtor tem que ter muita cautela na decisão dos insumos para a próxima safra. Retardar um pouco essa decisão é coerente, porque o custo já está bem apertado”, avalia Dalcin.
Em Água Boa ainda há lavouras aguardando as máquinas. O presidente do Sindicato Rural local, Geraldo Antônio Delai, destaca que o diesel subiu de R$ 5,67 para R$ 8,00 no TRR da região. “É uma despesa adicional de 30% nos nossos custos. O óleo diesel veio causar um transtorno, principalmente para quem está com dificuldade de crédito”, pontua à reportagem.

Reflexo no preço final
A preocupação se estende ao médio-norte do estado, na região da BR-163, onde o escoamento da produção ganha ritmo. Diogo Damiani, presidente do Sindicato Rural de Sorriso, explica que o frete consome cerca de 30% do valor da soja, e qualquer alta no combustível impacta diretamente a rentabilidade.
“Logo que se iniciou a guerra, em questão de 48 horas, já tínhamos alteração nas bombas. Hoje estamos falando de um diesel de R$ 7,80. Isso aumenta os custos de produção e os custos logísticos”, diz Damiani.
O vice-presidente da Famato, Ilson José Redivo, reforça que o aumento abusivo das distribuidoras acaba atingindo a ponta final da cadeia. “Esperamos que o governo aja com rapidez. O maior prejudicado é o consumidor final, que vai pagar mais uma vez essa conta na prateleira do supermercado”, afirma.
Para o produtor rural Anísio Vilela Junqueira Neto, o momento exige serenidade. “O produtor tem que ter o pé no chão. Parar um pouco de querer ir depressa aos postos fazer estoques, eu acho que não é hora de estocar. Quem realmente precisa para terminar a colheita deve buscar o óleo, mas o restante tem que esperar”.
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O post Disparada do diesel: produtores de Mato Grosso pagam até R$ 9,50 por litro apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.