Um estudo coordenado por pesquisadores do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), campus Pontes e Lacerda, identificou a presença de coronavírus em morcegos capturados na região conhecida como Arco do Desmatamento, área de transição entre os biomas Amazônia e Cerrado no estado.
A pesquisa foi publicada na revista científica internacional Zoonoses and Public Health e contou com a colaboração de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá.
O trabalho integra um projeto que investiga os impactos do desmatamento sobre populações de morcegos e a possível presença de vírus com potencial zoonótico, ou seja, capazes de circular entre animais e humanos.
Segundo o pesquisador Sérgio Gomes da Silva, os resultados do estudo trazem novas informações sobre a diversidade de vírus presentes na fauna brasileira e mostram como essa diversidade viral pode se adaptar às mudanças ambientais.
Ele explica que o trabalho reuniu especialistas das áreas de virologia, ecologia, biodiversidade e vigilância em saúde para analisar a dinâmica desses vírus em uma região fortemente impactada pelo desmatamento e pela fragmentação de habitats.
Esse cenário, segundo o pesquisador, pode aumentar o contato dos morcegos, espécies consideradas importantes para o equilíbrio ambiental, com áreas ocupadas por humanos e animais domésticos, elevando o risco de transmissão de doenças.

Ao todo, foram analisados 57 morcegos de 17 espécies diferentes. Amostras fecais de 16 indivíduos passaram por testes moleculares, e dois apresentaram presença de coronavírus, o que representa uma taxa de detecção de 12,5%.
Segundo os pesquisadores, embora o número de amostras seja considerado pequeno, o resultado confirma que vírus desse tipo circulam em áreas de vegetação fragmentada, onde o contato entre fauna silvestre, animais domésticos e humanos pode aumentar.
As análises genéticas indicaram que os vírus identificados pertencem ao grupo Alphacoronavirus, já conhecido por circular em outros biomas brasileiros, como Pantanal e Mata Atlântica. Esses vírus são diferentes daqueles que causaram epidemias recentes, mas podem provocar doenças respiratórias e gastrointestinais em mamíferos.
O coordenador avaliou que a pesquisa contribuiu para ampliar a compreensão sobre os vírus que circulam entre espécies de morcegos na região e sobre a forma como esses agentes transitam entre os animais. Segundo ele, o estudo também ajuda a explicar a dinâmica viral em cenários de forte degradação do habitat silvestre.
Nesse contexto, o monitoramento dos vírus presentes nesses ambientes é apontado como uma medida importante para prevenir riscos e fortalecer a vigilância em saúde.
O pesquisador destacou ainda que os resultados reforçam a importância da abordagem de Saúde Única (One Health), que reconhece a relação direta entre a saúde humana, a saúde animal e o equilíbrio dos ecossistemas.
O estudo também recebeu apoio e financiamento de agências de fomento à ciência e à vigilância ambiental, como CNPq, CAPES e FAPERJ.
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