Microplásticos já foram identificados no sangue, na placenta e até no cérebro humano, indicando que a poluição por plástico deixou de ser apenas um problema ambiental e passou a representar uma crise de saúde pública.
O alerta foi feito pela pesquisadora mato-grossense Alessandra Devulsky, que é integrante do Comitê Assessor do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, durante conferência realizada no dia 7 deste mês, na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá.
A apresentação destacou que a contaminação é generalizada e silenciosa. Estudos recentes mostram que uma pessoa pode ingerir, em média, cerca de 5 gramas de plástico por semana, o equivalente ao peso de um cartão de crédito, por meio da água, alimentos e até do ar.
Origem do problema
O plástico preto é produzido a partir da reciclagem de eletrônicos, como TVs e computadores, que contêm retardantes de chama químicos (PBDEs), associados a riscos à saúde humana.
Evidências científicas
- 85% dos produtos analisados continham substâncias cancerígenas
- Bandeja de sushi tinha 11.900 ppm de toxinas — 1.190x o limite europeu
- Exposição diária pode chegar a 34,7 ppm por utensílios
- Processo judicial aponta falhas na regulação ambiental
O calor de alimentos pode aumentar a liberação de substâncias tóxicas
Segundo os dados apresentados, a produção global de plástico chegou a cerca de 460 milhões de toneladas por ano, sendo que a maior parte é derivada de combustíveis fósseis. Ao mesmo tempo, apenas uma pequena parcela desse material é reciclada, enquanto grande parte acaba no meio ambiente.
Além da contaminação ambiental, os microplásticos já foram associados a riscos à saúde. Pesquisas indicam a presença dessas partículas em tecidos humanos e possíveis relações com doenças cardiovasculares, problemas hormonais e alterações neurológicas.
A conferência também destacou que a poluição plástica afeta diretamente direitos humanos fundamentais, como o acesso à água potável, à alimentação segura e a um meio ambiente equilibrado. Comunidades mais vulneráveis, como populações indígenas e ribeirinhas, tendem a ser as mais impactadas.
No Brasil, o cenário também preocupa. O país está entre os maiores produtores de plástico do mundo e apresenta baixos índices de reciclagem, o que agrava a contaminação ambiental e os riscos à saúde.
CONTAMINAÇÃO NO BRASIL
Microplásticos em peixes e ostras
Pesquisas apontam contaminação em espécies marinhas e de água doce, reforçando o avanço dos microplásticos no ambiente brasileiro.
55%
Peixes em Fortaleza
Dos estômagos analisados em 7 espécies, mais da metade apresentava contaminação por microplásticos.
30%
Peixes do Rio Machado
Entre 1.082 peixes analisados na Amazônia, quase um terço tinha microplásticos; 24 das 29 espécies foram afetadas.
+90%
Ostras no Paraná
A contaminação supera 90% e chega a 100% nas áreas próximas a portos industriais.
O avanço da contaminação por microplásticos no Brasil já foi registrado em organismos aquáticos consumidos pela população, o que amplia o alerta sobre impactos ambientais e riscos à saúde humana.
Fontes: Marine Pollution Bulletin/UFC (2021), FAPERJ/UENF (2023) e estudos citados em conferência da UFMT