Vídeo de aluna denuncia abandono e falta de segurança na Unemat de Rondonópolis
Uma denúncia feita por uma estudante da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), em Rondonópolis (MT), ganhou repercussão nas redes sociais ao expor problemas estruturais e de segurança enfrentados no núcleo da instituição no município. O vídeo, gravado pela aluna de Letras, Rafaela Lima, utiliza o formato de uma trend viral para chamar atenção ao que ela classifica como uma situação de “abandono” no local.
O prédio utilizado pela Unemat foi construído pela prefeitura e sua manutenção também é de responsabilidade da administração municipal. – Foto: Reprodução
Publicada recentemente, a gravação já ultrapassa 24 mil visualizações e reúne dezenas de comentários, muitos deles de outros estudantes que relatam experiências semelhantes. No conteúdo, Rafaela recorre à ironia para apresentar falhas como falta de iluminação, ausência de segurança e precariedade na estrutura física do prédio.
Segundo ela, a escolha pelo formato da trend foi uma estratégia após tentativas frustradas de chamar a atenção do poder público e da própria universidade.
“A ideia surgiu depois de esgotarmos todos os nossos meios. Já fizemos protestos, chamamos a mídia, mas não tivemos retorno. Então resolvi entrar nessa onda para atingir o máximo de pessoas possível”, explica a estudante também formada em Jornalismo pela Unemat.
Falta de segurança e estrutura precária
Entre os principais problemas apontados por Rafaela está a insegurança no campus. Ela conta que o espaço não possui guarita, não é cercado e apresenta iluminação insuficiente.
“De quinta para sexta vira estacionamento para pernoite de caminhoneiros. Não é preconceito, mas hoje uma mulher não pode ficar sozinha em um local assim”, afirma a jornalista.
Ela também destaca o medo constante entre alunas. Segundo ela, muitas estudantes ficam dentro das salas do começo ao fim das aulas por conta do receio de irem até o banheiro sozinhas, tamanha a falta de segurança.
Na parte estrutural, os relatos incluem falta frequente de água, queda de lâmpadas, internet instável e ambientes considerados insalubres.
“Dependendo do bloco, você não tem acesso à internet. E o sinal de celular também é ruim. A estrutura está abandonada”, pontua.
Veja o vídeo publicado pela jovem:
O vídeo já conta com mais de mil comentários de estudantes relatando problemas enfrentados no espaço utilizado pela instituição – Vídeo: Reprodução/Instagram
Redução de cursos e incertezas
A estudante também chama atenção para a diminuição da oferta de cursos no núcleo da universidade. De acordo com ela, diversas graduações estão sendo encerradas sem reposição de turmas.
“No ano passado finalizou Jornalismo. Este ano já terminou Direito e, em junho, acabam Engenharia Civil, Química e Pedagogia. A Unemat vai voltar a ter apenas dois cursos contínuos: Letras e Ciência da Computação”, afirma.
Apesar de haver promessas de abertura de novas turmas, Rafaela diz que não há confirmação oficial. “A gente busca informação e não tem retorno. A universidade nos ignora”, critica.
Estrutura sob responsabilidade da prefeitura
O prédio utilizado pela Unemat em Rondonópolis, o Complexo Educacional Padre Lothar, pertence ao município e é compartilhado com outras estruturas públicas. Pelo acordo vigente, a Prefeitura é responsável pela manutenção do espaço, mas, segundo relatos da comunidade acadêmica, essa obrigação não tem sido cumprida adequadamente.
Outros problemas mencionados pela comunidade acadêmica são ausência de acessibilidade e carência de serviços de limpeza e manutenção, fatores que já chegaram a provocar a suspensão de aulas. A situação gera preocupação entre estudantes e professores, que veem risco até mesmo de fechamento das atividades no local.
Frente parlamentar e falta de respostas
Diante dos problemas enfrentados, foi criada em 2025 uma Frente Parlamentar na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL-MT) com o objetivo de viabilizar a implantação de um campus definitivo da Unemat no município.
A proposta prevê articulação com órgãos públicos, busca por recursos e definição de área para construção da unidade. A frente foi instalada em junho de 2025 e tem prazo de atuação até junho de 2026.
Apesar da iniciativa, a estudante afirma que não houve avanços concretos nem transparência nas ações. Há ainda menção a uma dificuldade de diálogo para cobrar posicionamento e relatórios dos membros da frente.
“Não tivemos nenhum retorno. Quando procuramos informações, somos tratados como se fosse perseguição política. Tive que registrar boletim de ocorrência porque alunos estavam sendo maltratados e até ameaçados ao questionar”, afirma.
A estudante critica ainda o que considera falta de compromisso político com a pauta.
“Criaram a frente e virou ‘pizza’. Não passam relatório, não dizem em que etapa está. Para nós, não virou nada”, conclui Rafaela.
A Unemat foi procurada para se posicionar sobre as denúncias apresentadas pelos estudantes, mas não respondeu até o fechamento da matéria.
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