O vereador Adevair Cabral (Solidariedade) entrou com pedido de arquivamento do Projeto de Lei 181/2026 nessa quinta-feira (16). O texto foi protocolado na Câmara de Cuiabá há três dias, com a intenção de criar a Semana de Valorização da Paternidade e do Homem na capital.
A decisão do vereador teria sido em decorrência da repercussão negativa nas redes sociais em relação ao projeto de lei, considerando a alta taxa de feminicídios em Cuiabá, que, somente nos quatro primeiros meses deste ano, registrou 13 assassinatos de mulheres.
O Projeto de Lei de Adevair Cabral foi lido em sessão da Câmara nessa quinta-feira e deveria seguir para tramitação nas comissões da Casa de Leis. Mas comentários de desaprovação nas redes sociais teriam contribuído para o pedido de arquivamento do parlamentar.
Ao apresentar a proposta, o vereador afirmou que a semana seria celebrada anualmente no período que antecede o Dia dos Pais, comemorado no segundo domingo de agosto. O vereador também justificou que a proposta era promover reflexões e ações voltadas à importância do papel masculino na sociedade.
Entre os pontos previstos no texto estão, ainda, o incentivo à participação ativa dos pais na vida dos filhos, o debate sobre saúde emocional dos homens, o combate a estigmas relacionados à masculinidade e a promoção de campanhas de prevenção à saúde masculina, incluindo o câncer de próstata.
Feminicídios
Durante o ano passado, foram 54 feminicídios na capital mato-grossense, segundo os dados do Observatório Caliandra do Ministério Público de Mato Grosso (MTPT).
O caso mais recente ocorreu em Tapurah (MT). A jovem Julia Vitória do Prado da Silva, de 20 anos, foi morta a facadas por Alair Ferreira de Lima, de 75 anos, com quem ela se relacionava. Outro homem, Hedio Antonio Machado, de 66 anos, ajudou a ocultar o corpo da vítima, que foi encontrado no porta-malas de um carro.

Entre 2022 e 2025, ao menos 208 mulheres foram mortas por companheiros ou ex-companheiros em Mato Grosso. Desse total, 161 vítimas não possuíam qualquer medida protetiva, enquanto outras 18 chegaram a ter proteção judicial ativa no momento do crime.
A taxa de feminicídios no estado é de 2,47 para cada 100 mil mulheres, índice significativamente superior à média nacional, que é de 1,34.
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