O Ibama confirmou que monitora a região do Parque Indígena do Xingu e tem conhecimento de pressões relacionadas à pesca ilegal e a empreendimentos irregulares na bacia do rio. A manifestação ocorre após denúncia que aponta práticas como pesca predatória, turismo irregular e exploração de recursos naturais dentro de território indígena, com ligação ao município de Feliz Natal.
Segundo o material encaminhado às autoridades, as atividades ocorreriam com frequência nas proximidades das aldeias Morená, Guarujá e Caniné, envolvendo a organização de expedições de pesca com não indígenas e possível comercialização dessas experiências. Registros mostram grupos reunidos durante pescarias e a captura de espécies de grande porte, como a piraíba, além de indícios de práticas incompatíveis com a pesca esportiva, como peixes mortos após a captura.
A denúncia também indica que essas expedições seriam divulgadas em redes sociais, com participação de empresários e agentes políticos. Entre os citados está o vereador Remy de Souza Alves Corrêa, que negou irregularidades, mas confirmou presença nas pescarias. Ele afirmou que as viagens são organizadas por indígenas e que há cobrança dos participantes, variando conforme o tempo de permanência e serviços incluídos.
O Ibama destacou que a exploração de recursos naturais em terras indígenas é de usufruto exclusivo dos povos originários e que a presença de terceiros sem autorização configura infração ambiental e invasão de território. Mesmo projetos de pesca esportiva exigem autorização formal da Funai, o que, segundo o órgão, não ocorre atualmente no Xingu.
O instituto informou ainda que planeja para 2026 a Operação Iara, voltada ao combate à pesca predatória em terras indígenas. A denúncia já foi encaminhada à Funai e ao Ministério Público Federal, que acompanham o caso e podem adotar medidas administrativas e criminais. O Ibama alerta que esse tipo de atividade pode causar impactos ambientais relevantes, como redução dos estoques pesqueiros, captura de espécies protegidas e degradação ambiental.
Com informações do site Deixa Que Eu Te Conto.