A guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã entrou no 21º dia nesta sexta-feira (20), marcada por novas declarações do líder supremo iraniano e por bombardeios entre forças iranianas e israelenses. O presidente Donald Trump também criticou aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), classificando-os como “covardes”.
Uma mensagem publicada nas redes sociais do novo líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, afirma que o regime não será abalado pelas mortes recentes de integrantes do alto escalão.
“A terceira guerra imposta foi travada com a ilusão de que, se o chefe do regime e algumas figuras militares influentes fossem martirizados, isso criaria medo e desespero em nosso amado povo, fazendo com que vocês abandonassem o campo de batalha e, dessa forma, o sonho de dominar o Irã e depois dividi-lo seria realizado”, diz a mensagem.
Mojtaba Khamenei também afirmou ver “sinais de impotência” no governo dos Estados Unidos. O aiatolá negou ainda que o Irã tenha sido responsável por ataques recentes registrados na Turquia e em Omã, e atribuiu as ações a Israel.
“Os ataques ocorridos na Turquia e em Omã, países que mantêm boas relações conosco, não foram de forma alguma perpetrados pelas forças armadas iranianas ou pelas forças da Frente de Resistência. Essa é uma tática do inimigo sionista, que usa a estratégia da falsa bandeira para criar divisão entre os países vizinhos, e isso também pode acontecer em outros países”, afirma a nota.
Mais cedo, Khamenei pediu que o regime iraniano passe a mirar “inimigos externos”. A declaração apareceu em um comunicado atribuído ao líder supremo e endereçado ao presidente do Irã, Masoud Pezeshkian. O texto fala em “retirar a segurança dos inimigos” do país, tanto dentro quanto fora do território iraniano.
No Irã, o líder supremo ocupa uma posição hierarquicamente superior à do presidente e tem poder para vetar ou aprovar decisões do governo.
Mojtaba Khamenei ainda não apareceu em público desde que foi escolhido para o cargo. Há relatos de que ele teria sido ferido no ataque de Israel e Estados Unidos que matou seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, em 28 de fevereiro.
Trump critica aliados da Otan
Também nesta sexta-feira (20), Donald Trump chamou os aliados da Otan de “covardes” por não se envolverem diretamente na guerra contra o Irã.
Segundo o presidente norte-americano, os países da aliança não ajudaram os Estados Unidos na tentativa de impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear, nem contribuíram para a reabertura do Estreito de Ormuz, fechado por Teerã no início do conflito. Trump afirmou ainda que os aliados apenas “reclamam” do aumento no preço do petróleo.
A crítica ocorre mesmo após países como Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Holanda, integrantes da Otan, além do Japão, declararem estar prontos para ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo no mundo.
O Irã, localizado em uma das extremidades do estreito, afirmou ter fechado a passagem e vem realizando ataques a navios que transitam pela região.
O governo de Donald Trump também tenta obter US$ 200 bilhões (cerca de R$ 1 trilhão) em financiamento adicional para a guerra no Irã. Entre as justificativas estão a reposição de munições e outros suprimentos esgotados após apoio militar anterior a outros países.
Ataques
Israel e Irã lançaram novos ataques um contra o outro nesta sexta-feira, um dia após Teerã atingir uma refinaria de petróleo israelense. O episódio ocorre depois de Trump alertar Israel contra novos bombardeios a um campo de gás offshore iraniano compartilhado com o Catar.
Segundo os militares israelenses, Israel atacou Teerã tendo como alvo a “infraestrutura do regime terrorista iraniano”. A declaração não trouxe detalhes sobre os alvos específicos.
Em resposta, o Irã lançou diversos mísseis contra Israel, acionando sirenes de ataque aéreo em Tel Aviv, enquanto explosões de interceptadores de defesa aérea foram ouvidas na cidade.
O conflito já deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, além de se espalhar pelo Oriente Médio e impactar a economia global desde o início dos ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro.
Os Emirados Árabes Unidos relataram uma “ameaça de míssil” na manhã desta sexta (20), enquanto muçulmanos iniciavam as celebrações do Eid al-Fitr, que marca o fim do mês sagrado do Ramadã. Já o Kuwait informou que uma refinaria de petróleo no país foi atingida por um ataque de drones.
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